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sábado, 18 de janeiro de 2014

Mãe



Mãe


Novo devastado quedei
Sujeito ao jugo da vida
Azoado então me mostrei
E diante de tanto sofrer
Não tive tempo sequer
De preparar uma guarida


Dei por mim amarfanhado
Num mundo inapreciado
Perdi-me no emaranhado
Do entrelaçar dos caminhos
Voltei – me prós amigos
Fortalecido nos sentidos

Mas lá bem no coração
Algo não fazia zunido
Tudo estava desprovido
Nada mexia comigo
Faltava-me a sensação
O conchego do abrigo

Alento do meu parente
Era bom mas diferente
Confortava a emoção
Não calava a comoção
Tentava ser valente
Mas doía ver em frente

Chorava então no recanto
Mesmo adulto envergonhado
Derramava as minhas lágrimas
Pra dentro do meu canto
De manhã quando acordava
Tudo ainda me revoltava

Afinal era verdade
Já nada me sossegava
Tudo me martirizava
Minha mãe tinha partido
Deixando-me com fealdade
Mas com muita saudade

E nem a morte te afastou de mim

JP/Jan/2014