domingo, 27 de outubro de 2024

Alguns Dias São Assim

 


Já em 2019 foi assim:


Alguns Dias São Assim


Efeito mínimo.  

Agitação apenas.


Aceitei a inconsciência,  

Cresceu a tranquilidade,  

E a serenidade.  


Dissipou- se o medo. 

Por achar ser cedo?

Às fraquezas concedo

impotência, 

Minha paciência, 

E aceitação. 


Interrogo-me então?

De onde advéns tu?

Do coração?

Da sincronização? 

Pura percepção?

Do desapego?

Da falta de fôlego?

E de aconchego?

Creio que não.


De onde emanas então?

Houve “convocação”?

Maior consciencialização?

Harmonização,

Evolução?

Não sei, não.


Sei que há gratidão, 

Por tamanha concessão.

Rogo conservação,

Até final da sessão. 


Reconheço conturbação,

Só em dias de aplicação,

À logística digo não,

Seria bom,

Abandonar tal companhia, 

E chegar ao dia,

Tudo dormiria,

Se fundiria.



Em 16.10.24

…………………….


Até lá pedir-Te-ia


Que neste mar de letargia

Uses a Tua mestria

Não deixes a onda bravia

Quebrar minha sintonia


Haja ao menos maresia.


Que por muito

Salgada seja,

Seu odor corteja

Me viceja


Mas neste fim dia,

Fraqueza sentia,

Apenas jazia,

Tremia.

 

Me consumia.



JP/16 e17.10.24

Sinto II

 




Sinto II


Nem sei bem o que sinto

Complexo o que sinto

Há muito pressinto

Não é instinto


Algo indistinto 

De que me ressinto

Neste meu labirinto

Suga- me o arinto 


 Deixa- me faminto

Esvazia o recinto 

Busca- me o extinto

Mal que desde Abril  finto





JP/Out/17/24

segunda-feira, 7 de outubro de 2024

O Que Tem de Ser

 

O Que Tem De Ser

 


Algo havia de ter,

Moléstia dizem haver, 

Pouco posso fazer,

Esta a maneira do ser.


E, sabeis,


Até quero crer,

Tudo o que vai ocorrer,

Faz parte da vida ao nascer,

Apesar de só agora entender.


Optaram por ver,

 Mente a descrer,

 Interior a empardecer,

Me fender.


Culpa do meu ser 

Que desde o amanhecer 

Espelha entristecer,

Amargando o ser,

Reflectindo ter.


 Alegria, longe de haver,

Inconsciência por certo ser,

Fruição, arredia de ter,

Quietação realidade a ater.


Aceitação fez-me crescer,

Serenidade irá florescer,

Guiar-me-á no meu viver,

E a esperança prevalecer.


Seja aquilo que Ele quer fazer.




JP/07Out/2024

domingo, 29 de setembro de 2024

As Ostras

 


ESTE TEXTO TEVE POR BASE UM OUTRO PUBLICADO NO FACEBOOK CREIO QUE ANONIMAMENTE



As Ostras


Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas.

É a lei da Natureza.

Então pérolas são produtos de dor, resultados da entrada de determinada substância estranha ou indesejável no seu interior como um simples grão parasita ou mesmo de areia.

Na sua parte interior existe uma substância lustrosa chamada nácar que penetrado por aqueles obriga que as  suas células começem a trabalhar e cobram o grão ou o parasita com várias camadas no sentido de proteger o corpo indefeso da ostra.

Como resultado uma linda pérola se forma.

Ostra que não seja ferida não produz pérola pelo que esta não é mais do que uma cicatriz da ferida.

Com os seres humanos sucede o mesmo. 

Feridos por alguém, acusados por alguém injustamente ou rejeitados indevidamente ideias ou juízos de valor ou mal interpretadas meras palavras, golpeados pelo preconceito, pelo troco da indiferença ou, pela perda de entes queridos só deveríamos produzir pérolas. 

Cobrir as mágoas com camadas de perdão.

Infelizmente a maioria de nós aprende apenas a cultivar ressentimentos, amarguras deixando traumas abertas e, pior, alimentando-as com vários sentimentos pequenos impedindo a sua cicatrização.

Assim, na prática o que observamos são uma imensidão de "Ostras Vazias" porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor.

Um sorriso, um gesto tantas vezes vale mais do que mil palavras.

.Que desperdício. Que asneira. Que doença.


JP/JAN/2020

Resistência

 

Resistência



Deixei sempre meus cavalos à rédea solta

Galopando por esses campos fora

Em desfiladas desenfreadas

Galgando ravinas e cumeadas.


Por essa corrida afora

Sem hiato ou demora 

Neles cavalguei sonhos dourados

Uns desvanecidos

Não enraizados

Outros divinizados

Eternamente gravados.


Eis-nos perto da chegada

Os que subsistem amontoam- se à entrada

E apesar da vista cansada

Resistem à desgarrada

Cientes da jornada 

E sua curta caminhada


JP/JUL2024

Aceitacão Mas

 

Aceitação Mas



Sim, sei.

Um dia morrerei,

Só não sei

Quando partirei.


Aceitei.


Me interroguei,

Roguei,

Não me entreguei.

Pensamentos harmonizei. 

São parte da lei,

Intuí.


Aceitei.


Mas realmente sei?

Provas eu captei,

No corpo vivenciei 

Fraquejei.

Ajudar-me-ei.

Reflecti.


Aceitei.


Com a graça divina, despertei.

Me consciencializei,

Capacitei e serenei.

Relutei, me refreei,

Já não cegarei.


Sei,

Mas realmente nem tudo aceitei.

E tempo, terei?



JP/Set/2024


 

A Fé e o Medo

 

A Fé e o Medo



Emerge da consciência 

É o espaço interior

Onde a profundidade da essência 

Berço da serenidade criadora

Da quietude geradora** 

E do fluxo da energia vital 

Resulta em paraíso espiritual.


De refinada poesia,

Maestro de música e magia,

Do imane infinito,

Surge o mais belo escrito,

Nesse espaço etéreo,

Onde somos quem éramos,

Antes de nos tornarmos quem somos.


É nessa grandeza,  

Que algo em nós, sintoniza a beleza, 

Da unicidade com a natureza.


Tudo é nada,

Tudo é comunhão,

É o já e o ainda,

Mesmo na contração,

Ora mais desvanecida,

Nos traz melhor iluminação, 

De uma realidade sentida,

Até introvertida.


E, ainda assim,

Apesar da clareza do querubim,

Evidenciando o festim,

Nos persegue

O medo aldrabão,

Presença em ação, 

Sem extirpação, 

Traz aflição,

Mas pode, enfim,

 Encontrar redenção.


Haja fé então.



JP/Set/ 2024




** enfatizo a ideia de que silêncio e calma profunda permitem o surgimento de algo novo, como se a ausência de movimento fosse uma força de movimento criativa em si.