segunda-feira, 30 de março de 2026

O Jardim Do Lucas

 


“O Jardim Do Lucas”


À parede roçado

Sorriso lavrado

No rosto marcado

Porto muito amado


Curtos diálogos

Empáticos modos

Acordes afinados 

Rebentos plantados


Da fina radícula

Manou a gotícula

Criou uma espícula

Rumo à panícula


Pétalas brotam

No café se abrem

Rosas se alinham

Espinhos possuem


Na França vividos

No Ultramar temidos

No casamento tidos

Desmandos sofridos


Porém …

No plantio de teu jardim


Floresce o que resiste:

Girassol subsiste,

Camélia insiste,

Lírio sereno existe.


Embelezam teus canteiros

Estes arranjos soalheiros

Predominam os loureiros

São teus palcos, teatreiros


Tuas pérgolas serenas 

Enraízam trepadeiras;

Heras enlaçam colunas,

Lavandas velam nas beiras.


Pedras da tua sustentação

Oscilam, por distração, em vão

Entre raízes que se agarram

Tu- luzeira- sustentas teu chão


E na tua poesia….


Tens ainda quem te segure a mão.

E se por vezes te põe travão 

É pra não te perderes no balão

Entre flores e riso do jardim

Celebrares o São João assim

E cantares teu Porto campeão 


JP/MAR/2026




Reunião dos Pina

 


Aos Primos anadienses

Todos gente luzente

Anadia pra sempre

Ainda que ausente


A memória permanece

Fruto dessa semente

Criou laço permanente 

Falta abraço presente


Saudades de décadas 

No coração guardadas

Afectos eternizados

Na alma nunca apagados 


Longe mais uma vez

Com a saudade no peito

Reunido no pensamento

Despeço-me insatisfeito


Sigo meu caminho sem nunca dizer adeus.


Abraços 



Reunião dos Pina de Anadia a que faltei por doença

Os Filhos

 



Os Filhos


Antes de vos ter

Sonhei- vos aos três 

Sois a continuação do meu viver

Melhores do que alguma vez sonhei ser

Fortes, livres e plenos de altivez

Raízes e asas que vos dei guiaram-vos com sensatez

 

Estais quando o mundo corre apressado 

Preocupados comigo, como me preocupei com vocês.


Neste ciclo de vida entendo que valeu a pena.

E deixa- me a alma plena

Ser pai sem dúvida o melhor poema


JP/Jul/25


A Sala De Espera

 


A Sala de Espera 


A ralação impera

Desespera

Flagela

Exaspera


Rostos rugados

Níveos

Rendidos

Sofridos


Trêmulos arquejos

Bafejos

Incontidos

Purgativos


Horas a fio

Espaço frio

Sensório

Purgatório


Neste deletério

Povo temerário

Ora regulatório

Ora denegatório


Mesmo sem tino

Confia o destino

Ao médico ladino

Promete repor atino


AGO/2022


A Seara Da Inconsolação

 


A Seara da Inconsolação



Na minha terra há uma seara
Doce e luminara 
Luzidias espigas douradas 
Resplandeciam abrigadas
Resguardadas no suave fulgor
Assim tecida de sabor e amor


Brisas acariciavam corolas
Sibilavam canções melodiosas
Embalavam suaves danças
Ondulavam doçuras plenas
Plenas de cores maviosas
Assim me iam horas luminosas


Aos poucos o siroco ardente
Em silêncio descendente
Estiolou- me a mente
Languesceu a semente
Sem rega providente
Tornou-se ressequente


Cerzindo mansamente
Um deserto murchante
De areal desolante
Ceifando asperamente 
Restos de trigo emergente
No pó quente e dormente


No silêncio desta aridez
A alma perde em nudez
Qual vulto em rigidez
Já em total pequenez
Mas com um tom de frigidez
Minando a insensidez

 
Ante dorido canto
Cai incontido pranto
Toca- me em quebranto 
No âmago, jaz pântano 
Invernoso e insano 
No hiato humano
 

Que nos sustém 
Da ferida de outrem
Da nossa ninguém
Aqui, a sombra vai e vem
Sempre no frio além 
Sou dela refém 


De muitos, o desdém
Gestos sempre aquém
Inexiste alguém
Que consiga decifrar
Tão fundo salgar
Só se dá a quem já doeu

FEV/2026







quarta-feira, 30 de abril de 2025

Inquietude

 


Inquietude



Cativa-me tudo

Nada me prende contudo

Na inutilidade de não ser

Dilui o devir e o ter


Muito conheço de mim

Mas viver é não saber de mim

É ver o outrem jardim 

Ter o coração assim


Mas após o motim 

Anuviado até ao fim

Um desavim

Não sei ser.Enfim


Escapa-se-me a vida


Em sorvedouro remanso

Naquele amplo lanço

Onde o rio corre manso

Já próximo do descanso


Às vezes sou diferente


Apesar da  frieza rotineira

Colada à minha eira

Eu amo a brincadeira


Gosto de humor

Logro fulgor

Perfumo cor e sabor


Rendo-me à meiguice

Ao ternura do carinho

Ao suave calor do ninho.


Gosto de ser alegre

Mas baixa- me a febre

Não consigo evitá- lo


Então resvalo

Entre eras e quimeras 

Ora beras ora severas


Me engelho


Mas algo haverá a fazer

Não deixar apodrecer

Salvar o que está a morrer

 

Vale a âncora da família

Lapidada joalharia

O afecto aos amigos

A fala do cérebro dos livros 


Para nos manter vivos 


JP/04/Abr/25



sábado, 15 de fevereiro de 2025

Sonhos e Realidades

 


Criada no supra mental

De jaez transcendental

Uma visão eclodiu

Um oásis reluziu 

No coração se fundiu

 


Na aurora esboçada

A aparição persistia

Amiúde renascia

Na esperança arreigada

Na hera enraizada


Lobrigar uma vinha

Sombria ou fria 

Logo entrevia

Um dia serás minha

Sempre em sinfonia 


Amor dos campos

Dos pirilampos

Atrativos granitos

Encantos tantos

Olhos acalantos


Ruralidades

Um odor que desperta

Uma palavra certa

Imaginação aberta

Intencionalidades


Divina claridade

Gerou criatividade

Arte de qualidade

Assim alimentada 

Obra consumada 


Já alicerçada.

Logo à chegada

Morria o velho eu 

Eclodindo no casaréu

Um novo velho eu


Na travessia deste rio

Nasciam novos genes

Pensamentos diferentes

Escolhas crescentes 

Fomos mais presentes 


Desta sincronização

Houve comunhão 

Amor e união

Vinte anos de paixão 

Gratidão 



JP/Fev/25