segunda-feira, 30 de março de 2026
A Seara Da Inconsolação
quarta-feira, 30 de abril de 2025
Inquietude
Inquietude
Cativa-me tudo
Nada me prende contudo
Na inutilidade de não ser
Dilui o devir e o ter
Muito conheço de mim
Mas viver é não saber de mim
É ver o outrem jardim
Ter o coração assim
Mas após o motim
Anuviado até ao fim
Um desavim
Não sei ser.Enfim
Escapa-se-me a vida
Em sorvedouro remanso
Naquele amplo lanço
Onde o rio corre manso
Já próximo do descanso
Às vezes sou diferente
Apesar da frieza rotineira
Colada à minha eira
Eu amo a brincadeira
Gosto de humor
Logro fulgor
Perfumo cor e sabor
Rendo-me à meiguice
Ao ternura do carinho
Ao suave calor do ninho.
Gosto de ser alegre
Mas baixa- me a febre
Não consigo evitá- lo
Então resvalo
Entre eras e quimeras
Ora beras ora severas
Me engelho
Mas algo haverá a fazer
Não deixar apodrecer
Salvar o que está a morrer
Vale a âncora da família
Lapidada joalharia
O afecto aos amigos
A fala do cérebro dos livros
Para nos manter vivos
JP/04/Abr/25
sábado, 15 de fevereiro de 2025
Sonhos e Realidades
Criada no supra mental
De jaez transcendental
Uma visão eclodiu
Um oásis reluziu
No coração se fundiu
Na aurora esboçada
A aparição persistia
Amiúde renascia
Na esperança arreigada
Na hera enraizada
Lobrigar uma vinha
Sombria ou fria
Logo entrevia
Um dia serás minha
Sempre em sinfonia
Amor dos campos
Dos pirilampos
Atrativos granitos
Encantos tantos
Olhos acalantos
Ruralidades
Um odor que desperta
Uma palavra certa
Imaginação aberta
Intencionalidades
Divina claridade
Gerou criatividade
Arte de qualidade
Assim alimentada
Obra consumada
Já alicerçada.
Logo à chegada
Morria o velho eu
Eclodindo no casaréu
Um novo velho eu
Na travessia deste rio
Nasciam novos genes
Pensamentos diferentes
Escolhas crescentes
Fomos mais presentes
Desta sincronização
Houve comunhão
Amor e união
Vinte anos de paixão
Gratidão
JP/Fev/25
terça-feira, 14 de janeiro de 2025
Bela e Singela
Bela e Singela
I
És tão bela
És luz singela
És a árvore
Cuidas dos teus rebentos
Novos,velhos e sarmentos
II
És tão bela
És luz singela
Cuidas dos vizinhos
Segues em frente
Cresces docemente
III
És tão bela
És luz singela
Tuas sementes
Sopros amorosos
Abraços silenciosos
IV
És tão bela
És luz singela
Teus frutos
Bênçãos divinas
Generosidades finas
V
És tão bela
És luz singela
Folhas amarelas
Doações em aguarelas
VI
És tão bela
És luz singela
Tuas raízes
Escoras da vida
Mantém alma erguida
VII
Es tão bela
És luz singela
És a muito querida Manuela
JP/Natal 2024
quinta-feira, 19 de dezembro de 2024
Um Amigo
18.10.24
Um Amigo
Falei com um amigo
Doente e internado
Deveras desanimado
Fiquei abismado
Foi um pranto
De triste canto
De desencanto
Enorme quebranto
Nem o seu manto
Coberto de santo
Sacrossanto
Evitou o amianto
Dói tanto
Porquanto
No meu recanto
Me dava tanto
Teimoso
E no entanto
Escutava-o com espanto
Era um encanto
Desnorteado
No jardim desfolhado
Suflou- se o brado
Esvaiu -se o agrado
Reanimado
Eis o amigo imortalizado
JP/Dez/24
Em Dez/24 reiniciei esta história em rimas que acabei nos 3 ou 4 primeiros dias do mês antes de saber as melhoras dele. Posteriormente acrescentei as 2 últimas linhas
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
O Senhor António
O Senhor António
Tantas
Nem sei quantas
Por ti passei
Olhar fugidio
Fingi que não vi
Mas algo reti
Coisa diferente em ti
Por segundos atentei
Tão logo me esgueirei
Aqui e ali
Tua imagem não bani
Não a absorvi
Nem a extingui
Nem me envolvi
De súbito entendi
Postura a que assisti
Teu olhar que depreendi
Desta feita vi
Um náufrago ali
Te questionei
Em teus olhos desolados
Li as sangrias
O desespero que sentias
As injustiças que rangias
As impotências frias
E como te doías
Golpes cortantes
De ventos cruentes
Fustigado e vergado
Na lama jorrado
Lambias feridas
Ciciando agonias
Energias
Detinhas
Não te torcias
Reagias
Orgulho sustinhas
Não te rendias
As cepas das tuas vinhas
Mondadas de folhas e ramos
Podadas dos engaços
e cachos
Ainda contém os viços
Crês no brotar dos rebentos
Promessa de primavera
Que o eminente mortório
A torna numa quimera.
Implacável o tempo passa.
JP/Out/Nov/Dez2024
Maleita
Maleita
Vivo com uma maleita
Que de Abril espreita
Desde então me enfeita
Sem saber de que é feita
É imperfeita
E tão suspeita
E insatisfeita
Que não endireita
Começa a ser atreita
Ou pior assaz afeita
Mesmo coisa feita
Virando uma seita
Rejeito o seu culto
Neste corpo adulto
Existe um mau vulto
Atribuo- lhe indulto
Não matuto
Nem discuto
Não desfruto
Nem imputo
Como ser cerebral
Creio na conexão não causal
Na criatividade divinal
Na inteligência universal
Mesmo na imortal
Faz parte da conexão não causal.
JP/09.11.24