terça-feira, 11 de agosto de 2020

Marta

 


 

Aniversário 


 Uma filha carinhosa

Também generosa

Virou mãe primorosa 

E muito garbosa

Deu-nos neta preciosa

E muito amorosa


JP/ 08/Jul/20 

Saudade

 Saudade


Que belo abraço

Bom sentir o laço

Mas nada como o regaço

Para estreitar o melaço


JP/26/Jul/20



Nuvens

 

Nuvens



Em corpos incólumes

Mudos de queixumes

Coexistem feridas

Incultas e enrustidas

Fendem silenciosamente

Erodindo a própria mente


Escondem- se traiçoeiras

Nas profundezas do ser

Viram até feiticeiras

Pois antes de nos acometer

Nos fazem crer

São nuvens a esvaecer


Sem concebermos

Sofremos

Com o mal que lá por dentro temos

Desassossegados

Gretados

Acabrunhados


Murchamos

Secos não choramos

Quase desraizamos

Ás vezes espigamos

Resistimos. Sonhamos


Até que avelhamos


JP/11/Ago/20


quinta-feira, 14 de maio de 2020

Prisioneiros


Prisioneiros

Agreste acalmia
Colou- se á pandemia
Ceifando a economia
Espelhada na rua
Gravada na loja nua
Pra sempre a perpétua

Que vida é esta 
Que nos confina a viver a vida,
Crianças enclausuradas
Em casa alarmadas
Pais despegados dos filhos
Evitando sarilhos

Olhamo-nos de esguelha 
Medrosos de centelha
Qual ferrão d’abelha
E nos infecte a telha

Com um terror sociopata
Que nos destrata
Desafecto que mata
Sem nenhuma serenata

Que peste é esta
Que qos confina a viver a vida
Em obscurantismo
Ávidos de iluminismo
Alentando o populismo
E cedendo ao estadismo

Perante futuro inglório
De previsível sanatório
Para todo o território
Hoje já um purgatório

Mas é notório
Inexistir oratório
Ou até reparatório
Para evitar um mortório


JP/Maio 2020/13



domingo, 19 de abril de 2020

Gustavo (Original e Livro)



GUSTAVO (versão original)


Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro



Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Sem o acolher
Nem nos braços o ter


É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso


Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente


JP/Abr/2020/20

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)




GUSTAVO (versão do livro)

Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro

É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso

Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Nem o acolher
Nos braços por ter

Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente







2026

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)