quinta-feira, 14 de maio de 2020

Prisioneiros


Prisioneiros

Agreste acalmia
Colou- se á pandemia
Ceifando a economia
Espelhada na rua
Gravada na loja nua
Pra sempre a perpétua

Que vida é esta 
Que nos confina a viver a vida,
Crianças enclausuradas
Em casa alarmadas
Pais despegados dos filhos
Evitando sarilhos

Olhamo-nos de esguelha 
Medrosos de centelha
Qual ferrão d’abelha
E nos infecte a telha

Com um terror sociopata
Que nos destrata
Desafecto que mata
Sem nenhuma serenata

Que peste é esta
Que qos confina a viver a vida
Em obscurantismo
Ávidos de iluminismo
Alentando o populismo
E cedendo ao estadismo

Perante futuro inglório
De previsível sanatório
Para todo o território
Hoje já um purgatório

Mas é notório
Inexistir oratório
Ou até reparatório
Para evitar um mortório


JP/Maio 2020/13



domingo, 19 de abril de 2020

Gustavo (Original e Livro)



GUSTAVO (versão original)


Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro



Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Sem o acolher
Nem nos braços o ter


É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso


Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente


JP/Abr/2020/20

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)




GUSTAVO (versão do livro)

Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro

É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso

Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Nem o acolher
Nos braços por ter

Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente







2026

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)














sábado, 28 de março de 2020

A Amizade



AMIZADE



A  que me dou 

Imperfeita é
Comodista é
Mas tem fé
Solidária é
E tem pé.

Nada obriga
Por vezes castiga
Nunca ciumenta
Pura água benta

Alimenta-se na colheita
Como a  abelha na flor se deleita
Dá-se por satisfeita.
É intemporal e afeita

Ás vezes esmorece
Mesmo adulta adormece
E se entristece.
 Mas logo enrijece. 
Ante uma quermesse.

Logra mais ardor.
 E não sendo amor.
Apesar do esplendor.
Tal como o  beija- flor.
Adora o sabor.

 A abraça
Como morenaça
Encostada á praça
Se enlaça
A exprimir fogaça
E provar sua traça


JP/Dez/2019 












Gostar de estar só

Equilibra o paletó

Mas suster o só

Nem um bom cipó




Existir só

Causa dó

Atanaza o só

Cria um quiprocó




D'um elo só

Vira mesmo nó

Pois ao invés do forró

Afeiçoa a alma ao só




Vida só

Configura a da noitibó

Negra. E seca como o pó

Decorre. E só.



JP/Mar/2020