domingo, 19 de abril de 2020

Gustavo (Original e Livro)



GUSTAVO (versão original)


Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro



Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Sem o acolher
Nem nos braços o ter


É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso


Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente


JP/Abr/2020/20

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)




GUSTAVO (versão do livro)

Nasceu em Janeiro
Esbravejou o Fevereiro
Rabujou no terceiro
Abril já festivaleiro
Eis o Gustavo galreio
Que neto soalheiro

É neste mundo suspenso
E muito indefenso
Incapaz de um consenso
Que me sinto infenso
Ao coibir beijo imenso
Em menino tão intenso

Vejo- o a crescer 
A rir e a ser
A querer 
Sem já o conhecer
Nem o acolher
Nos braços por ter

Estar ausente
Cruel vírus demente
Situação rangente
E tão deprimente 
Que nos deixa carente
Deste novo descendente







2026

  
(Trigésimo oitavo dia de confinação)














sábado, 28 de março de 2020

A Amizade



AMIZADE



A  que me dou 

Imperfeita é
Comodista é
Mas tem fé
Solidária é
E tem pé.

Nada obriga
Por vezes castiga
Nunca ciumenta
Pura água benta

Alimenta-se na colheita
Como a  abelha na flor se deleita
Dá-se por satisfeita.
É intemporal e afeita

Ás vezes esmorece
Mesmo adulta adormece
E se entristece.
 Mas logo enrijece. 
Ante uma quermesse.

Logra mais ardor.
 E não sendo amor.
Apesar do esplendor.
Tal como o  beija- flor.
Adora o sabor.

 A abraça
Como morenaça
Encostada á praça
Se enlaça
A exprimir fogaça
E provar sua traça


JP/Dez/2019 












Gostar de estar só

Equilibra o paletó

Mas suster o só

Nem um bom cipó




Existir só

Causa dó

Atanaza o só

Cria um quiprocó




D'um elo só

Vira mesmo nó

Pois ao invés do forró

Afeiçoa a alma ao só




Vida só

Configura a da noitibó

Negra. E seca como o pó

Decorre. E só.



JP/Mar/2020


quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Santa Valha



SANTA VALHA



Pró clã do Amial

Reunido no ciprestal

Um fim de  semana especial

De convívio fraternal

E com muito carnaval


É o desejo cordial

Do amigo tribal



22Nov
Pina


Menina



MENINA  

FILHA  NETA  SOBRINHA

Partiu uma menina
Não cabia na minha mina
Ignorava sua morfina
Extinguiu-se a lamparina


Era uma andorinha
Voando na manhãzinha
Ligada por fina asinha
Á vida no fim da linha


Preso pela gavinha
Á cepa da sua vinha
Vocifera doloroso
Parente mui choroso


Sua dor é espinhosa
E pode virar penosa
Não deixes que cresça venenosa
Pois pode tornar- se odiosa


Foi um tufão
Varou- te o coração
É uma agonia
Estou em sintonia
Nessa invernia


Nenhum bálsamo pra dar
Mas a forma salutar
É estancar o indignar
É aceitar


Parca consolação eu sei
No passado me revoltei
Só me imperfeiçoei
E me atraiçoei


JP/DEZ/2019


terça-feira, 5 de novembro de 2019

Folhas da Vida




Folhas da Vida

Olho-as através das janelas
Quão diversas pintadelas
Autênticas aguarelas
São lágrimas do Dono
Caídas e ao abandono
Desnudando mães d’outono

Mirradas e folhiças
Em campas rasas mortiças
Clamam suas enfermiças
Esvaecem-se em sedimento
Fecundando solo lamacento
No último e sofrido lamento

Apesar do definhamento
Apadrinham já o fomento
Ao favorecer o advento
Por meio do próprio fermento
Profetizando o florescimento
De um sagrado revivescimento


JP/Out/2019